terça-feira, 22 de agosto de 2017

Dançar





É uma brincadeira de dedos no ar, na pele, um divertimento de pura alegria
É uma graça com sorrisos transbordantes e contagiosos de magia

É rodopiar, rastejar, viajar no espaço, correr e saltar com forças desconhecidas
É enamorar-me da chuva e bebê-la num banho de carícias envolvidas

É criar uma possibilidade infinita de movimentos, de ser, sem qualquer limite,
É voar perscrutando o cheiro das folhas, dos frutos, o sabor da vida como um convite

É tocar as estrelas, é descer ao mais fundo do meu ser, entrar fascinada no teu olhar,
É abraçar e sentir-me encontrada, ser numa roda festejada e festejar

É poder abandonar-me no teu colo, é cair no vazio, nos medos sem medo algum,
É sentir o conforto duma presença que me ampara, mas não asfixia de modo nenhum

É sair de mim um grito visceral, ver a dor nas minhas entranhas e libertar-me,
É saber contornar as pedras, enfrentar as bestas, afirmar o centro e soltar-me

É poder brilhar, é ser semente, é plantar jardins, é ser bicho e caçar,
É ser pássaro e anjo e chegar tão próximo de Deus que O sinto em mim a amar

É ficar linda, poderosa, transformada, ser mais eu equilibrada e feliz
É sonhar com as minhas células e ter força para realizar o que desejei e nunca fiz


sábado, 8 de julho de 2017

AMAR




A roupa retirada preciosamente, ou rasgada com a urgência da atração

Sermos um do outro numa fusão de pele, de cheiro, a qualquer hora

A força da respiração pôr-nos a voar, tornar-nos água do mar, estrelas

Penetrarmos o olhar e dilatarmos o tempo num espaço universal

Um abraço dado demoradamente, dedicado, iluminado, dançado à chuva

Ficarmos perdidos numa entrega inevitável, imprescindível, calorosa

Sorrisos entre longos beijos ouvindo melodias de sol vindas da terra

A língua desenhar o corpo, criá-lo, alimentando-o com sabedoria

Sentir a beleza, a paz, uma enorme serenidade própria dos amados

Querermo-nos no chão, na praia, na caruma debaixo de pinheiros em flor

Sonharmos em segredo mil e uma fantasias a dois para fazermos depois

A doce alegria do incomensurável desejo que percorre as veias e nos ateia

domingo, 27 de dezembro de 2015

Valsinha







Um dia, ele entrou no meu peito com carícias feitas do desejo de me amar.
Olhou-me como se fosse monte, vale, fruta amadurecida e beijou-me inteira.

Falou-me do meu brilho. Respirou-me e elevou-me no ar bailando com o meu vestido florido.
Espalhou pétalas e pétalas pelo vento fora e eu fiquei leve e linda, qual pássaro em suas mãos tão puras.
E, rodopiando de alegria, nós os dois fomos três, ao criarmos um mundo de paz num abraço quente, forte, encontrado.


Um dia, ele entrou no meu peito com carícias feitas do desejo de me amar.

- Um dia de sorrisos transbordantes
- Ele entrou espetacularmente bem no meu peito, porque as carícias tinham um cheiro irresistível e porque eram feitas muito devagar como se o tempo dilatado desse uma nova textura ao meu corpo
- O seu desejo de me amar transparecia na leveza e na intensidade do toque das suas mãos


Olhou-me como se fosse monte, vale, fruta amadurecida e beijou-me inteira
- O seu olhar tinha uma força que me tolhia as pernas e me forçava a deitar nos seus braços

- Ele transmuta-me fazendo-me  ser também outras coisas mais: folha, pena, espuma…
- É muito importante ter sido toda beijada, é como se fosse de novo toda criada, uma maravilha


Falou-me do meu brilho. Respirou-me e elevou-me no ar bailando com o meu vestido florido.
- A verdade é que ele estava encantado com o brilho do meu olhar e, por isso, é que isto foi possível.

- A respiração foi fundamental, uma sintonia, uma empatia ancestral

- Adorei  sentir o impulso da subida, teve sabor a céu, a mar, a divertimento

Espalhou pétalas e pétalas pelo vento fora e eu fiquei leve e linda, qual pássaro em suas mãos tão puras. 

- Foi essencial a minha entrega para libertar tanta pétala; foi um ato de confiança e cumplicidade, feito dos simples momentos partilhados na praia das laranjeiras
- Eu fiquei mais bela do que nunca e nunca mais se desvaneceu a forte leveza que o meu corpo ganhou

- Parti da verdade das suas mãos para um voo pelo seu corpo e descobri como estava inundado de música. Era uma valsa de palavras amorosamente ditas.


E, rodopiando de alegria, nós os dois fomos três, ao criarmos um mundo de paz num abraço quente, forte, encontrado

-As nossas voltas éramos nós doidos de alegria a dançar a valsa
- A criação exigiu sabedoria. Sabedoria para deixar a natureza ligar os nossos elementos, mesmo os que desconhecíamos

- O nosso encontro encheu-nos de tal forma que passámos a transbordar uma paz impossível de conter apenas dentro de nós


domingo, 11 de outubro de 2015

Minha árvore





Porque a chuva me despiu bela a teus pés
Porque me encostei ao teu tronco, minha árvore
Porque me deste um abraço cheio de terra
Porque danço com a tua respiração inebriada com o teu cheiro
Porque me invadiste de luz, de brilho, de um branco tão claro
Porque me fizeste tua com o teu doce e sincero olhar
Porque me encho de saudades quando ainda estou contigo
Porque me encheste de tanta paz que pareço voar
Porque quero tocar-te como fera sedenta de loucura
Porque a tua voz me diz o quanto me amas
Porque elevas a minha felicidade além da minha imaginação

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

O que eu calo





Tenho um cavalo calado no meu peito. Quando danço, o cavalo solta-se e leva-me pelos campos num galope vertiginoso. O movimento da sua crina acaricia-me o rosto e faz-me subir para cima dele, pondo-me em pé no seu dorso, de braços abertos. Assim voamos como dois anjos, unidos, seguros, luminosos, pelas nuvens, que se afastam e nos prestam vassalagem. Quando aterramos, o meu peito ofegante liberta pétalas de rosa, pois o sangue não cabe em mim e torna-se imprescindível impregnar a terra. O meu cavalo passeia-me então, deitada sobre ele, exausta, por este mar vermelho, deixa-me escorregar suavemente até cair na areia, à sombra de uma laranjeira, na praia, e segue para a tropa, que por vezes vejo passar nos meus sonhos mais soltos.

Tenho um jardim calado no meu olhar. Quando brinco na terra, semeando e plantando a vida em potência, eu própria sou girassol, que se alegra maravilhado com a germinação, a força e dádiva de Deus presente na natureza. E sou também cuidadora incansável e entusiasta das mais simples flores. Deixo-me inebriar pelo seu cheiro, deixo a sua cor pintar-me o corpo e vestir-me de felicidade, porque há uma festa em cada uma. No meu jardim, todos os elementos se enamoram, nutrindo-se mutuamente numa simbiose que enlouquece saudavelmente. Sempre que me embrenho na jardinagem, saio mais renascida, mais viva, mais florida.

Tenho palavras secretas caladas no meu sorriso. Quando comemos os nossos beijos, entramos um no outro como touro e tigre, agarrando-nos, ora delicada ora ferozmente, e nos bebemos por inteiro, soltam-se em mim as palavras mais doces, as indizíveis, as que saem do mais íntimo e se impregnam na tua pele e invadem o teu coração de um bem-querer infinito. As minhas palavras enleiam-se nos teus fortes braços, que me dão o colo-ninho mais encantador possível e me envolvem numa paz, que jamais havia sentido. Este encontro, há tanto, tanto desejado, propicia frases de entrega, que só a lógica dos sentidos e das emoções mais puras permite vislumbrar. Por isso, te digo, meu amor: “Contigo, pela primeira vez e mais do que nunca, sinto-me única, encontrada, querida, encantada, linda, respeitada, mulher e mãe amada, feliz, muito, muito feliz.”

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

A tua voz





A tua voz passeia alegre o meu sorriso
E deixa mais brilhante a areia que eu piso

A tua voz vai comigo à duna mais alta
E dá-me toda a ternura que me falta

A tua voz lê-me pura, por inteiro
Meu doce, lindo e forte marinheiro

A tua voz faz de mim sereia tua
Navega comigo até à luminosa lua

A tua voz entra em mim como num mar
Despe-me das piores dores pra me amar

A tua voz púrpura abraça-me loucamente
Num terno aconchego-ninho permanente

A tua voz agarra firme a minha cintura
Rebola comigo numa eterna aventura

A tua voz seduz-me, bebe-me os seios
Faz-me cair de prazer sem rodeios

A tua voz faz-me mil carinhos sem fim
É música, festa, um delírio pra mim

A tua voz inunda-me de múltiplas flores
Eleva-me feliz aos paraísos melhores

A tua voz viva percorre as minhas veias
Soltando o meu ser que tu livre premeias

A tua voz enleia-me em ternura e encontro
É a minha ilha, o meu lar, o meu conto

A tua voz tem a sublime magia do encanto
Estende sobre mim um maravilhoso manto

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Confiar de novo




A dor do desamor é um vampiro, que nos extrai paulatinamente a alegria e a confiança até à última gota, transformando-nos em mortos-vivos.

Mas a vida é um milagre, feito de poeira de estrelas, é uma força maior e ainda mais arrebatadora, se nos deixarmos envolver pela sua beleza, pela graça, pelo fascínio de simplesmente ser.

Ficar amargurada, olhando para quadros negros, pintados com o desencontro, as falhas de comunicação, as ausências, que me perfuraram e retiraram o sangue, seria deixar-me dominar pela tormenta.

Prefiro, antes, guardar no meu coração o ter conseguido voar, maravilhosamente, sobre o mar da esperança, tendo, no entanto, consciência de que já aterrei e de não querer repetir esse voo.

O fascínio, o deslumbramento que se liberta na relação amorosa eleva-nos ao infinito, enlaça o tempo e o espaço, fazendo transbordar uma vida nova.

Torna-se difícil, quase incompreensível conceber que, depois de tanto encanto, de tanto sentimento, seja possível levantar para novo voo, de tão poderosas terem sidos as vivências. Mas basta ouvir o silêncio, a luz das estrelas, a voz da terra molhada para descobrir que ainda muito há para sentir, ainda muito há para amar, ainda muito há para partilhar.

E porque se geraram em mim, para além das dores, palavras-olhares tão vivos, deixo aqui inscritas como tesouros algumas, não para divulgar o que é íntimo, mas porque esta é a minha única maneira de amar, toda, por inteiro, sem reservas...

E se eu de novo alguma repetir, não há problema nenhum, porque do mesmo modo que uma mãe diz “amo-te” a todos os seus filhos por muito diferentes que eles sejam, também eu amarei de novo numa entrega confiante. É que acontecem maravilhas quando amamos e somos amados.


“As nossas mãos dançam desejos de luz e vida.”

“Sente em cada gota de chuva beijos meus.”

“Um beijo com sabor a saudades, um abraço pintado de desejos…”

“Sabe a brincadeira ficar a pensar em coisas deliciosas para te dizer.”

“És um poema feito de espuma, perfumado de flor de laranjeira, que liberta calor, alegria e maravilha o meu ser.”

“Quero a serenidade de te aguardar ao entardecer para nos partilharmos.”

“Qualquer lamento meu é insignificante perante a certeza inexplicável de tanto te querer.”