segunda-feira, 25 de maio de 2015

Para além de todos os meus desejos




Fui para ti teu anjo, a tua deusa venerada
E tu, como fénix, renasceste das cinzas
Mas aos medos ficaste preso na noite perdida

Não libertaste a noite para nascer o dia
Não amaste o melhor que em nós havia
Desejaste mas não te entregaste, desconfiaste

É que além de todos os meus desejos
Para além de toda a minha imensa dor
Havia uma força maior chamada amor

Um amor que tu querias tão leve
Que para mim pesava por ser tão breve
E me punha a sonhar, não a viver

Sonhei tanto, que de mim me esqueci
Cativada pelas doces palavras que ouvi
E fiquei sem corpo, fiquei sem tempo

Passa agora o tempo à minha beira
Espalhando por todo o lado a tua memória
E assim o tempo para, afogado nesta história

Queria pôr-lhe um fim, para lá da emoção
Mas a verdade, meu príncipe, é que ficaste
Impregnado na minha pele, dentro do meu coração

Dentro de mim tudo diz que fiz bem dizer-te adeus
E, se me amo, sei que doutra forma quero ser amada
No entanto, morre muito em mim, por de ti estar afastada

Quero afastar-me da agonia desta morte
Quero viver sem esta falta, que já era ausência
Quero avançar firme, lutar pela minha sorte

Luto neste luto necessário e doloroso
Cresço para além de mim própria e para dentro
E renascerei viva, forte, crente no devir amoroso

Creio na incrível beleza da paixão amorosa
E quero ser feliz por poder amar e ser amada
Como mulher querida, imperfeita, maravilhada




sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Sentir-te em mim




"Cessa o desejo quando o muro se abre? Tanta imaturidade." Casimiro Brito



Sentir a tua presença, ao meu lado, em mim, na minha pele

Passear-me no teu corpo de um jeito doce, terno e límpido

Beberes meus seios, enlaçares-me por baixo deles tornando-nos ninho

O teu corpo entrar no meu ondulando e eu desfazer-me em ti e recriar-me


Perspetivas de…

Sentir a tua presença, ao meu lado, em mim, na minha pele
É a permanência, a proximidade, o contato
É um toque delicioso, carinhoso, que nos anima
É acordar ao teu lado e brilhar mais o nosso olhar
É saber-te comigo como vida em mim

Passear-me no teu corpo de um jeito doce, terno e límpido
É deleitar-me, alegre, sorridente, entusiasmada
É sentir o prazer da simples meiguice
É percorrer-te como quem te venera
É admirar a tua beleza sem fim, a pureza do teu ser

Beberes meus seios, enlaçares-me por baixo deles tornando-nos ninho

É fazeres-me tremer de prazer
É sentir-me atraída por ti como íman
É ficar em ti como semente poderosa
É sermos colo num aconchego profundo

O teu corpo entrar no meu ondulando e eu desfazer-me em ti e recriar-me

É sermos barco e mar numa aventura
É estarmos unidos para além do limite do corpo
É entregarmo-nos em danças de transe
É a felicidade de nos abrirmos e renascermos

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Azul




Um azul que dança e cheira
As sombras das árvores e do caminhante
Pássaros voando sobre os campos
Lírios, tantos lírios, papoilas, girassóis
Amarelo-torrado por todo o lado
A luz do teu olhar na água noturna
O descanso na palha dourada
Uma cama com duas almofadas
Troncos lembrando corpos erguidos
E a neve mais branca de sempre


terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Meu querido e doce enamorado

A luz do teu olhar cativou meu coração de forma tão avassaladora, que se torna inexplicável. Supera a razão e o entendimento sentir-me sempre envolta no teu abraço-ninho-poço-de-ternura, ainda que não te veja.

Parece loucura tanta alegria só por beijar tuas palavras amantes que me afagam sem fim. Sinto-me milagrosamente afetada em cada dádiva do teu ser ao meu, em cada surpresa, na fascinante aventura de nos conhecermos.

Apoderou-se de mim uma sede do teu cheiro, que me estremece por inteiro e me impulsiona para ti. Vejo-me coberta de barro molhado dançando como nunca a sedução da terra de onde o transe nos fará voar.

Nem quero saber nada sobre os dias e as horas dos nossos encontros, nem onde nos entregamos, pois ficam inscritos ad eternum no universo e em cada uma das nossas células. Por isso, somos um do outro, porque estamos um no outro.

O nosso carinho transborda dos nossos sorrisos constantes e contagia de felicidade quem se aproxima, pois está adornado de simplicidade, verdade e pelo bem-querer tão maravilhoso que nos aconteceu. Portanto, não temo o fim desta paixão, porque se tornará em amor e isso tem um toque divino que saberemos merecer e frutificar.

Deste amor incondicional germinará a confiança para nos partilharmos em toda a multiplicidade do que somos e queremos, para nos respeitarmos no que divergimos, para nos acolhermos com fé e esperança.

Amo-te, meu bem!

A tua 

Filó


Porque "a luz do teu olhar cativou meu coração", numa dança serpenteada...

sábado, 29 de novembro de 2014

Nossas mãos



Tuas mãos
Fincam meu estômago
E em pé, sobre ti
No teu peito, eu me deito
Tombando em teu ombro
Minha cabeça deleito

Tuas mãos cheiram a poesia
Perfumam meus seios
De luz e alegria
Inundam de beleza
Minha pele rosada
Que fervilhava e te queria

Minhas mãos
Em teus cabelos
Criam rios de luar
E tu pegas nelas
Como se em mim toda
Entrasses junto ao mar
 
Minhas mãos
Têm o brilho do meu olhar
São radiantes borboletas
Em teus lábios
Em ti, meu esplendor
Que me levaste num cometa

Nossas mãos
Dançam serenas e firmes
Cantam nosso desejo
De paz e esplendor
Beijam-nos agradecidas
Envolvidas em amor

Nossas mãos
Trazem em si outros tempos
Do espaço desconhecido
Dão forma a novas vidas
Mais amplas, libertas
Maravilhadas e unidas

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Estar contigo sem estar





Insisto e persisto neste meu voo
De estar contigo sem estar
Vou descrevendo os nossos encontros
Imaginando o calor dos teus lábios
E o sabor deles no meu peito.
Perco-me contigo entre laranjeiras
Misturando areia e espuma do mar
Mas tu ficas sempre ausente
Desfazes-te sem eu te tocar

Tu já me lês e de tal forma me vives
Que minhas palavras são já tuas
Bebe-las de tal modo simpático
Que te tornas irresistível a meus olhos
Porque, assim, deixo de te ver
Com todas as necessárias contingências
E passas a ser eu em ti e não tu

Esta realidade que eu crio e te envio
Esta realidade que brota de mim como um rio
E me expande como um desafio
Conduz-me para além de mim
Ultrapassa o razoável e espanta-me
Deixa-me vulnerável e mais adiante
Fico nisto tudo perdida
Soltando meu afeto encarcerado
Vendo o seu tom desmedido
Pois o meu bem-querer fica escancarado
Com se eu não quisesse amadurecer
E provar o quanto tu tens de único para dar

Como posso eu sentir-te sem te conhecer
Amar-te sem te ver
Dar-me sem te mexer
Sem respirar os teus medos e anseios
Sem nos partilharmos
Sem nos vivermos
É como se o que eu expresso
Não fosse dirigido a ti
Mas a um ser imaginário
E isso deixa-me inconformada

Talvez  uma dança à chuva me salve
Me faça despertar deste delírio constante
Me dê a graça de juntar tuas mãos às minhas
E nossos seres se envolvam em alegria abundante
Então, aí, eu libertarei o meu fascínio por ti
Meu bem concreto, com tuas virtudes e defeitos,
Do jeito que tu és
E não mais terei de te sonhar
Nem ficar tremendo
Ansiando a felicidade do nosso encontro